terça-feira, 28 de junho de 2016

Sobre o pronome relativo CUJO



Cujo indica pose. Só. Não há outro sentido possível. Então, você assistiu a um filme do qual você quer falar depois, não cujo você quer falar depois. (Por outro lado, certo é dizer “Um filme cujo título não lembro.”)
Parafraseando a Bella, “Você pode substituir cujo por do qual, por exemplo!” ;)

sexta-feira, 27 de maio de 2016

ENTREVISTA COM UM ESCRITOR DE RUA

A entrevista abaixo foi publicada em minha página no Facebook em janeiro, portanto, os números já são outros, mas, na essência, é isto aí:

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Há cinco meses, Eduardo Lages passa seus dias escrevendo na Av. Paulista, enquanto vende seu primeiro livro, "Querido Jaime", do qual já vendeu 700 cópias! Na entrevista abaixo, conversamos sobre sua rotina de autor independente. Aproveite! E inspire-se! ;)
("Querido Jaime" pode ser comprado como e-book no site da Amazon. Para cópias físicas, encontre-se com o autor na Av. Paulista, número 2000, e aproveite para bater um papo! Ou entre em contato com ele pelas redes sociais, que ele envia o livro para todo o Brasil via correios.)

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ENTREVISTA COM EDUARDO LAGES, ESCRITOR DE RUA

Desde quando você é escritor de rua? Como surgiu essa ideia?
Sou escritor de rua há cinco meses. A ideia surgiu quando vi que seria muito difícil publicar por vias convencionais, então decidi que ia tentar vender meu livro na rua :)

Ainda enquanto escrevia seu primeiro livro, você já planejava vendê-lo nas ruas uma vez que o tivesse concluído?
Quando eu comecei a escrever o livro eu ainda não tinha inventado esse negócio, mas foi rápido até chegar nessa ideia, haha.

Você largou um emprego tradicional, com carteira assinada, para viver exclusivamente dos seus escritos. Sentiu-se inseguro ao tomar essa decisão? Tinha um plano B?
Eu larguei o meu emprego também porque não aguentava mais ele. Eu precisava mudar minha vida, então a literatura me abraçou e foi muito boa comigo. Eu estava com medo no início, mas desde o primeiro dia deu tudo certo, então fui ganhando confiança no que eu estava fazendo. :)

A Avenida Paulista foi apenas uma escolha óbvia, devido ao grande movimento, ou houve outros motivos? Pretende vender seu trabalho em outros pontos?
Eu amo a Paulista, sempre gostei de lá, mas claro que o número de pessoas que passam por lá todos os dias foi um fator primordial pra eu escolher esse ponto.

Conte-nos um pouco sobre como foi seu primeiro dia na Avenida Paulista. Foi bem sucedido, sentiu-se animado?
Meu primeiro dia na Paulista foi cheio de nervosismo e alegria. Fui bem sucedido e vendi bastante, de cara. Foi um dos dias mais esquisitos e felizes de que eu me lembro.

De quanto foi sua tiragem inicial? Esgotou em quanto tempo? Você a financiou com suas próprias economias ou buscou outras fontes, como empréstimo ou financiamento coletivo?
Minha primeira tiragem foi de 100 exemplares, e logo depois que esgotou, mandei fazer 200, e assim foi. Com o dinheiro que arrecado nas vendas, banco a próxima edição e tiro meu lucro.

Num dia bom, quantos livros em média você vende?
Num dia bom, eu vendo 10 livros, em média.

É difícil concentrar-se para escrever em plena Avenida Paulista, e sendo abordado por leitores? A escrita rende?
A escrita rende sim, haha, tem muita referência e inspiração por lá.

As pessoas ficam receosas, tímidas em abordá-lo, ainda mais ao vê-lo escrevendo? Ou o abordam com naturalidade?
Sim, algumas ficam um pouco receosas, mas sempre é muito gostoso o contato.

Você, como tantos jovens autores, e eu me incluo nisso, se autopublicou. Tem gostado da independência de vender diretamente aos leitores, definir o preço de capa, margem de lucro? Vale a pena trocar isso por uma editora tradicional, se tiver a oportunidade?
Eu sou suspeito pra falar. Desde o início queria ser independente, nunca sonhei com editora, nem corri atrás. Então, pra mim, sim, vale super a pena.

Falemos agora de e-books. Seu livro também pode ser encontrado à venda na versão eletrônica pelo site da Amazon. Mas sabemos que no Brasil o livro impresso ainda tem um apelo muito maior junto ao público leitor. Como tem sido sua experiência com e-books? A venda tem sido tão boa quanto a venda de livros físicos?
A venda do e-book está começando a aquecer agora. Os livros físicos ainda vendem muito mais, mas vale a pena ter o livro na Amazon!

Qual a importância da divulgação? Já houve leitores que foram à Paulista exclusivamente para conhecê-lo e adquirir o livro após vê-lo nas redes sociais?
Sim, através da divulgação, muita gente já foi me procurar lá! É muito bacana!

quinta-feira, 26 de maio de 2016

A Falácia das Antologias

Em grupos de escritores de que participo no Facebook, vejo constantemente chamadas para antologias. Pergunto-me que vantagem pode ter, para um escritor, com todas as facilidades de autopublicação de hoje em dia, participar de algo assim.

O alcance dessas antologias parece mínimo. E se ainda por cima for daquelas que exigem que o autor adquira parte da tiragem, aí então me parece um péssimo negócio, mesmo! (Sequer serve para sentir aquele gostinho de ter um livro publicado, porque, né... é só um conto.)

A "editora" reúne 20 autores, faz com que cada um adquira vinte exemplares como condição para publicar, e com isso esgota uma tiragem de 400 livros. Embolsa o dinheiro (venda certa, lucro certo -- o autor TEM que adquirir sua cota, são as regras) e vai feliz em busca de novas vítimas incautas para o próximo "projeto". O autor que se vire com aqueles vinte livros embaixo do sovaco: vende um pra mãe, outro pra avó, um terceiro pra uma tia, dá outros tantos para uns amigos, guarda um na própria estante, e os outros viram calço de mesa.

Como autora, sinto-me bem mais à vontade em oferecer um conto meu na Amazon a dois reais que um livro de mais de trinta pilas com aquele mesmo conto meu.

Já como leitora, eu prefiro mil vezes comprar um conto isolado (como um e-book na Amazon, por exemplo) de um autor que me interesse a ter que comprar um livro inteiro (normalmente caro) recheado de trabalhos de ilustres desconhecidos porque tem UM conto que me interessa ali. Não parece justo para nenhuma das partes.

A vontade de publicar é grande, ainda mais para os que estão se iniciando no processo, ansiosos, inexperientes, e doidos para soltar o filhote no mundo. Mas não se apressem nem se precipitem. Estudem bem suas opções.



sábado, 21 de maio de 2016

LIVROS DE VALOR SENTIMENTAL

Vou compartilhar com vocês uma historinha fofa e pessoal envolvendo livros e, quem sabe, estimulá-los a compartilhar experiências similares! ;)
Envolve "Um Estudo em Vermelho", que eu li tem uns 20 anos, então não me lembro de detalhes. Lembro-me só de que achei as conclusões forçadas, pois havia outras conclusões possíveis, mas Sherlock anuncia suas deduções como inquestionáveis.
No entanto, é um livro importante para mim, pois foi o primeiro mote de conversa entre mim e meu marido! Estávamos numa festa, eu estava conversando com um amigo e citei uma frase do livro. De repente, ouço alguém falar atrás de mim: "Isto é 'Um Estudo em Vermelho', de Conan Doyle!" Pronto, continuamos conversando a noite toda, e lá já se vão 17 anos de namoro, 12 de casamento, duas filhas. Temos a capa do livro emoldurada na sala! <3
E vocês, gostariam de compartilhar livros que tenham um significado íntimo em suas vidas?

NEOLOGISMOS


Minha filha mais velha, quando bem pequena, era mestra em inventar palavras para o que queria dizer, mas lhe faltava vocabulário. Certa vez, ela tinha por aí uns dois anos, eu fui vesti-la e ela disse que eu coloquei a calcinha "encascalhada" (entrando no bumbum). Outra feita, classificou um acontecimento de "desconsolente" (algo que o deixa desconsolado -- isso já entrou no vocabulário da família). Minha mãe já se saiu com "encaixativo" -- disse que certa palavra era mais "encaixativa" que outra. Claro que ela queria dizer "mais adequada".
Crianças pequenas costumam ser bem mais produtivas nesse sentido. Minha filha hoje tem onze anos e não tenho nenhuma invenção recente dela para contar.
Vocês sentem falta da existência de certas palavras? Inventam alguma vez ou outra? Eu já adotei "desconsolente" para a vida (mas não em meus textos literários).

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Clickbaits de "Guerra e Paz"



Este homem herdou a fortuna de seu pai. Você não vai acreditar no que ocorre em seguida!

29 fatos incríveis sobre Napoleão Bonaparte. O número quatro vai deixá-lo em choque!

Estes dois homens duelam. O resultado vai surpreender você!

10 sinais de que você está se tornando um maçom!

Estes aristocratas russos ficam noivos. O que vem a seguir vai explodir sua cabeça!

A sabedoria simples deste camponês virtuoso o fará questionar tudo!

Língua de sinais para bebês ouvintes. Por que sim?

Texto originalmente escrito para meu perfil no facebook no dia 17 de maio.

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Vou tentar não me alongar demais, pois está tarde -- quero só deixar um registro rascunhado aqui antes de dormir.
A primeira vez em que ouvi falar de línguas de sinais para bebês foi na comunidade Pediatria Radical, do Orkut -- num comentário feito por Thalita Dol. Estela nessa época já falava muito bem, obrigada, portanto não se beneficiaria mais de meu novo conhecimento. Nem eu tinha outro herdeiro em vista. No entanto, armazenei a informação. Agora eu sabia que isso existia.
Quando engravidei outra vez, lembrei-me imediatamente da questão da língua de sinais. Baixei vídeos, assisti a alguns com Estela, minha filha mais velha, que se entusiasmou de imediato -- aliás, "entusiasmo" é uma característica marcante dela! <3 --, e li sobre o assunto.
Há várias vantagens listadas nos artigos e livros, mas vou tentar me ater ao que me interessou, aos benefícios que me foram caros, para além do "aumenta o QI", porque já está dando no saco essa obsessão moderna em criar mini gênios. A questão da comunicação me cativou bastante. A possibilidade de dar ao seu bebê um meio concreto, específico, e não vago como o choro, para lhe comunicar uma necessidade. E, na verdade, ir além de necessidades, pois nem só delas é feita a vida, não é mesmo? Um bebê, que antes estaria enclausurado em si mesmo até que pudesse articular suas primeiras palavras, poderia dividir com a família suas percepções. Mostrar e nomear algo que lhe chamou a atenção, de que gostou. A outra vantagem é uma extensão da primeira. Qualquer um que tenha lidado com crianças já ouviu falar de, ou viveu na pele, os famosos "terrible two". É a fase das birras. Pois bem, as tais birras são atribuídas à frustração que a criança sente pelas limitações impostas por sua precária capacidade de comunicação. Frustrada em não conseguir transmitir o que quer, começa o chororô. Se sua autonomia corporal é boa (anda, corre, pula, sobe -- é também a época do início do desfralde), a capacidade de comunicação é pífia, o que a irrita. A língua de sinais minimizaria bastante as tais birras, pois ela poderia comunicar pelo menos o básico -- e, na verdade, além. A terceira vantagem é algo pessoal, que não necessariamente terá apelo para todos: meu amor pela linguagem em geral, a curiosidade por uma língua nova.
Quando Eva tinha uns quatro meses, ou mesmo antes, eu comecei a fazer alguns gestos. Comecei por "mamar", que achei que seria o mais importante então. Mas era algo errático. Ela era tão pequena, e parecia tão distante essa possibilidade de que de fato ela fosse se comunicar comigo por meio daqueles gestos, que, absorta por outras necessidades mais pungentes de nosso dia a dia, fui aos poucos deixando para lá. Quando ela tinha uns sete ou oito meses, comprei outro livro -- ou melhor, comprei um livro, pois o que lera até então fora de artigos grátis na internet ou amostras grátis de livros na Amazon --, o que me deu ânimo novo. Com esta idade, oito meses, muitos bebês cujos pais vinham sinalizando consistentemente já respondiam. Fiquei triste com o tempo perdido, mas fazer o quê? Além disso, o livro atestava que, conquanto seu bebê ainda não falasse, ou se ainda tivesse um vocabulário muito restrito, ainda era tempo de começar.
Tentei ser mais consistente. Escolhi palavras que eram do interesse imediato de Eva: mamar, comer, água, avião, gato, peixe. Essas três últimas, porque (1) volta e meia um avião sobrevoa nossa casa e Eva fica fascinada, (2) temos em casa três gatas que igualmente a fascinam, (3) ela adora os peixes do aquário de seus avós paternos. Fiz MUITO o gesto de "avião" e de "gato" para ela. Fazia dois meses que eu sinalizava com insistência sem obter qualquer resposta, apesar de perceber que ela prestava atenção. Semana passada ela começou a apontar para cima SEMPRE que ouvia o barulho de um avião passando, ainda que estivesse dentro de casa, e não no jardim, de onde poderia vê-lo. Era alguma coisa, mas não era o gesto para avião. Estela, por exemplo, com quem nunca utilizei língua de sinais, fazia "tcha-tchau" com a mão sempre que ouvia um passar, de tanto que eu lhe dizia, "Olha o avião, vamos dar tchau para o avião," sempre que um deles passava.
ATÉ HOJE. Estávamos sentadas no chão, brincando, quando uma das gatas se aproximou. E Eva simplesmente a olhou e fez o sinal para gato. Muito naturalmente, e assim sem mais. Eu não havia feito o sinal, não havia chamado sua atenção para a aproximação da gata, nada. Foi completamente espontâneo, por iniciativa dela apenas. Meu coração derreteu! :) Hoje. Aos dez meses e três dias.
Bom, dizem que depois do primeiro sinal, ou seja, depois que a criança entende as regras do jogo (um sinal = um conceito), é só ladeira acima.
Palavra do dia: ENTUSIASMO.