segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Sobre VALE SEM RETORNO, meu primeiro romance


(Texto originalmente escrito em agosto de 2015)

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Participo de um grupo de escritores que foi criado para que lêssemos e debatêssemos os textos uns dos outros. No início do mês passado, meu romance “Vale sem Retorno” foi alvo de debate. Entre os comentários, um me chamou mais a atenção: uma pessoa disse que começou a leitura de má vontade, pois imaginava encontrar uma fanfic de “Brumas de Avalon”, mas se surpreendeu com os personagens, que não eram “sombras dos originais”.
Não cheguei a ficar surpresa, tampouco chateada, mas apontei que os personagens de “Brumas” não são os “originais”. O ciclo arthuriano compreende uma série de histórias que passaram a ser registradas a partir do século XII, sobre eventos que se supõem acontecidos no século V. “Brumas de Avalon” é um livro do século XX — uma releitura moderna, portanto, e nem de longe a história “original”. Por isso mesmo, fiz questão de não ler. Ainda. Nem Bernard Cornwell. Só quero lê-los depois que concluir minha própria releitura.
E por que esse interesse meu em (re)contar essa história? Há alguns anos, li a história de Merlin na versão de Robert de Boron, escrita no século XIII, e foi quando fiquei sabendo que Merlin, para muito além do velho mago barbudo com a única função de aconselhar Arthur, era um personagem bem mais rico, e trazia no currículo uma história de amor. Eu fiquei ansiosa para divulgar esse Merlin de carne e osso, que se apaixonava e tinha vida e motivações próprias — que não vivia apenas em função do rei. A partir daí, fui lendo mais sobre o tema e conhecendo as várias versões que foram surgindo até o século XV, com a grande compilação feita por Thomas Malory (“A morte de Arthur”).
A primeira figura feminina a surgir foi Morgana, uma fada boa sem parentesco com Arthur. À medida que ela foi se fixando como a irmã geniosa e vingativa do rei, fez-se necessária a criação de um contraponto feminino bondoso: Viviane, a “dama do lago”, que às vezes assumia o papel de amante de Merlin. A própria Viviane com o tempo também se dividiu em duas — Viviane e Nimue, esta a amante mais tradicional do mago. Preferi manter o nome “Viviane”, e não há uma “dama do lago” na minha história.
Quanto mais lia, mais minha ambição passava a ser outra: contar a história dos três casais principais — Merlin e Viviane, Arthur e Morgana, Lancelot e Guinevere —, e como tais relacionamentos, todos proibidos por algum motivo, foram responsáveis pela queda de Camelot. A capital de Logres desaba de dentro para fora, e não atacada por inimigos externos. “Vale sem Retorno” é o primeiro livro, já concluído e disponível, e relata o romance entre Merlin e Viviane, sua aluna de magia. 



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Se ficou interessado, eis a sinopse do livro conforme consta no site da Amazon e, logo abaixo, o link para compra! :)

A ida de Viviane à corte de Camelot como dama de companhia de Lady Morgana, irmã do Rei Arthur, atende a múltiplos interesses: Sir Dionas quer arrumar um bom casamento para a única filha; Lady Morgana quer uma aliada em seu plano de vingança contra Merlin, responsável pela morte de seu pai anos antes; e Viviane quer aprender magia.

Ao apaixonar-se por Merlin, no entanto, Viviane frustra as expectativas de todos: certamente o filho do demônio não é o genro almejado por seu pai; tampouco Viviane concordará em guiar o mago à armadilha engendrada por sua senhora.

Merlin, por sua vez, apesar de corresponder ao amor de Viviane, vive seus próprios dilemas: ele sabe, graças a seus dons premonitórios, que envolver-se com sua aluna de magia é rumar para o próprio fim. E, embora Viviane insista que é possível escapar do caminho traçado pelas previsões, ele não tem tanta certeza.

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A história pessoal de Merlin pouco se sobressai ao seu papel como conselheiro do Rei Arthur. Nas várias versões que nos chegaram da Idade Média, o romance com Viviane, sua aluna de magia, não toma mais que poucas páginas, nas quais ora ela é muito má, e, após aprender com Merlin tudo o que ele sabia, trancafia-o para não ter que fazer sexo com ele em troca, ora ela o ama tanto que o trancafia para tê-lo só para si. Neste livro, eles ganham uma história de amor mais detalhada e, sobretudo, menos mesquinha, mas sempre fiel aos elementos das versões medievais originais.


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